A cultura afro-brasileira é um dos pilares mais significativos da identidade e história do Brasil. Para além das lutas travadas, historicamente, contra o racismo e a segregação, esta rica cultura traz um conjunto de aspectos e identidade própria que certamente são um legado para o povo brasileiro.
Sob este viés da valorização da história e da cultura negra, e também de forma alusiva ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, também conhecido como Dia Internacional das Mulheres Afrodescendentes, foi promovido o evento “Realeza Negra: a história não contada”, com idealização de Priscila Madeira, integrante do grupo gestor do CEU das Artes da Borda do Campo, e organização conjunta da Prefeitura de Quatro Barras, por meio das secretarias municipais da Mulher e dos Direitos Humanos, e de Cultura e Turismo.
O evento, que lançou ao público ricos elementos desta cultura tão emblemática para o Brasil, foi sediado no CEU das Artes no último domingo (27), onde histórias, cores, sons, arte e presença humana retrataram aspectos da cultura afro, de resgate às origens e à ancestralidade.
Ao longo do domingo, quem visitou o espaço pode emergir, em parte, nesta cultura. Apresentações culturais, contação de histórias e exposição de artes estiveram abertas à visitação. Foi momento de valorizar a arte e também quem a produz. Lá foi possível conferir obras alusivas à cultura afro das artistas juvenis Amandha Lautério e Yasmin de Freitas, de 15 e 14 anos, respectivamente, alunas do professor Enéas Ribeiro Corrêa e moradoras da cidade.
Também foi possível se encantar com o trabalho primoroso de bordado em folhas naturais de seringueira e fícus, produzido pela artesã Maria Amélia Galvão, também moradora da cidade, somado a outros, de moradores e convidados.
Outro momento chave do evento foi o Desfile de Moda Afro, organizado pelo Ateliê Lurdinha, de Curitiba, que reuniu modelos da cidade e convidadas, com peças de vestuário que retratam e embelezam a cultura afro. Todas as peças são criadas e confeccionadas no ateliê, com assinatura da estilista Lourdes Lima.
“Comecei por sentir falta. Falta de ver, de me ver, nas vitrines, nas revistas, nas passarelas. Então eu costurei essa ausência com propósito. Minha marca é sobre ancestralidade, beleza negra e pertencimento. Em Curitiba, ainda somos poucos nessa luta, mas com cada desfile, a voz se expande. Obrigada por fazerem parte disso”, disse a estilista.
Uma das modelos na passarela foi a pequena Sophia Madeira, que é Miss Beleza Negra 2023 e Miss Barbie Negra 2023/2024, entre várias outras titulações.
PRESENÇAS – Ao longo do dia, o CEU das Artes recebeu um grande público. A programação foi acompanhada pela secretária da Mulher e dos Direitos Humanos, Ieda Tolardo; pelo secretário de Cultura e Turismo, Wellington Benedetti; pela representante do Departamento de Igualdade Racial da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná (SEMIPI), representando a secretária Leandre Dal Ponte, Clemilda Santiago Neto; pela idealizadora do evento, Priscila Madeira; pela coordenadora do CEU das Artes da Borda do Campo, Lucinéia Alves; e pela diretora do Instituto Cultural Top Models, Priscila Andrezza.
A secretária da Mulher, Ieda Tolardo, enfatizou a beleza do encontro. “Este evento foi além das expectativas, pela forma como foi construído, pela valorização e reconhecimento desta cultura tão importante para o Brasil. É uma alegria abraçar esta causa, que é de todos os brasileiros, de valorizar a cultura afro e defender iguais oportunidades para todos. É isto o que o prefeito Tolardo vem nos pedindo continuamente”, enfatizou Ieda. “Não podemos apagar o passado, as muitas injustiças cometidas, mas podemos fazer diferente no presente e no futuro”, finalizou ela.